Travessia Guadakan une ancestralidade e conservação no Pantanal

O projeto de implantação da Travessia Guadakan, executado pelo Instituto Homem Pantaneiro (IHP) na Serra do Amolar, no Pantanal de Corumbá (MS), busca fortalecer e promover os laços de ancestralidade do território com a conservação. A viabilidade dessa trilha para o ecoturismo e aceiro estratégico na prevenção de incêndio florestal tem financiamento do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF) no âmbito do Projeto Estratégias de Conservação, Restauração e Manejo para a biodiversidade da Caatinga, Pampa e Pantanal (GEF Terrestre), que é coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) e tem o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) como agência implementadora e o Fundo Brasileiro para a Biodiversidade – FUNBIO como agência executora.

Nesse contexto, ocorreu durante a segunda quinzena fevereiro de 2026 oficina de manejo com duração de 10 dias. Uma etapa que envolverá especialistas em trilhas de longo percurso, equipe do IHP e 13 moradores do Território Indígena (TI) Guató da Aldeia Uberaba.

A realização dessa oficina de manejo integra também o apoio direto da Aliança pela Inclusão Produtiva (AIPÊ), parceria do Instituto no projeto “Coletivo Natureza: turismo sustentável pela Serra do Amolar”. Há encontro dessa iniciativa com a proposta de valorizar os saberes locais e potencializar o sentimento de pertencimento, capacitar jovens no setor do turismo e garantir ações sustentáveis que gerem impacto direto para prevenção de incêndios florestais.

A oficina de manejo de trilhas faz parte ainda do processo de efetivação da Travessia Guadakan, e permitirá que moradores locais estejam aptos a trabalhar diretamente no atendimento de turistas. Incluso nesse procedimento também está a finalização do Sistema de Gestão de Segurança (SGS) e outra oficina ligada à condução de trilha, ações previstas para serem realizadas em março de 2026.

Para efetivar um trabalho conjunto com comunidades tradicional e indígena da região da Serra do Amolar, o IHP priorizou reuniões para detalhar o potencial previsto na geração de renda que a implantação da Travessia Guadakan oferece tanto para a Comunidade Amolar, como para a Aldeia Uberaba Guató. Ainda, amplificou as oportunidades que existem ao detalhar o projeto em andamento para 30 jovens que estão no curso Condutores Pantaneiros e vivem em Corumbá e Ladário. Esse curso também é ministrado pelo IHP, em parceria com o Instituto Localiza.

Paralelo aos treinamentos, a regularização da Travessia Guadakan junto ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança Climática segue tramitando.

O presidente do IHP, Angelo Rabelo, reforça a importância de unir forças para promover o desenvolvimento estratégico e sustentável no Pantanal. “A Travessia Guadakan está se tornando uma das principais trilhas do país, porque está dentro no Pantanal, permite conhecer de perto um dos locais mais preservados do território. Ainda é muito emblemática, pois em um dos pontos dela ainda é possível avistar a Ilha Ínsua, onde está a Aldeia Uberaba Guató, mas isso só acontece em um dos pontos mais altos que existe na planície pantaneira. É um lugar único no mundo.”

A turismóloga e especialista em formação de trilhas, Paula Rascão, destaca que o manejo adequada da Travessia Guadakan garante múltiplas funções ao caminho. “Quando uma trilha é planejada e manejada corretamente, ela deixa de ser apenas um caminho e passa a cumprir múltiplas funções no território, apoiando o ecoturismo, contribuindo para a prevenção de incêndios e atuando como um corredor ecológico. Na Travessia Guadakan, esse trabalho ganha ainda mais força com a participação da comunidade local. O envolvimento dos Guatós no manejo da trilha integra conhecimento tradicional e conservação, fortalecendo a proteção do território e criando bases para um turismo de natureza responsável no Pantanal.”

O chefe da Brigada Uberaba Guató, da aldeia homônima, e também vice-cacique, Mateus Ferreira, participou do curso de manejo junto com outros brigadistas. “Guadakan é uma palavra nossa, é uma palavra Guató. Para gente, significa Pantanal. E o que estamos desenvolvendo aqui, esse curso de manejo, o aprendizado que estamos somando, representa muito. O Guadakan é tudo para gente, é onde a gente tem nosso lazer, é onde a gente vive e onde nós queremos trabalhar e desenvolver.”

Histórico de resiliência
Em 2025, a equipe do IHP manteve cronograma de manejo, porém as atividades foram impactadas após o registro de incêndios florestais. O fogo registrado em outubro de 2025 afetou, de alguma forma, 32 km dos 64,9 da Travessia Guadakan. A equipe que faz a manutenção precisou atuar no combate aos incêndios florestais.

Em uma vistoria realizada em dezembro de 2025, foi possível constatar que o trabalho de manejo e prevenção na trilha gerou resultado e todas as estruturas e as sinalizações que tinham sido montadas acabaram não sendo atingidas pelas chamas. A vegetação, porém, acabou devastada. Nessa vistoria também foi identificada a situação de estiagem no Pantanal, o que reduziu a disponibilidade de acesso à água. Por motivos de segurança, não houve manejo nesse período.

Próximos passos
Como a Travessia Guadakan prioriza, além do ecoturismo, medidas de prevenção dos incêndios florestais, o IHP está elaborando o plano de recuperação ambiental da área afetada e a apresentação dele será apresentada em breve. Essa proposta complementar de trabalho procura aprimorar as medidas de prevenção e conservação, com foco no desenvolvimento sustentável da trilha.

SOBRE O IHP

O Instituto Homem Pantaneiro (IHP) é uma organização da sociedade civil, sem fins lucrativos. Fundado em 2002, em Corumbá (MS), atua na conservação e restauração do Pantanal e para a valorização da cultura pantaneira.

Entre as atividades desenvolvidas pela instituição destacam-se a gestão de áreas protegidas, o desenvolvimento e apoio a pesquisas científicas e a promoção de diálogo entre os atores com interesse na área.

As ações prioritárias do IHP são feitas nos pilares para proteção da biodiversidade, mitigação das mudanças climáticas e atuação conjunta com comunidades tradicionais e de povos originários para apoiar o desenvolvimento sustentável. O IHP também integra o Observatório Pantanal, o Observatório Rodovias Seguras, os PANs Ariranha e Onça-pintada, além do Comitê Estadual do Fogo em Mato Grosso do Sul. Saiba mais em https://institutohomempantaneiro.org.br/

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