COP15 terá lançamento de plataforma inédita para mitigar atropelamentos de animais em rodovias

Durante a realização da COP15 – Convenção sobre Espécies Migratórias (CMS), no dia 24 de março, no Espaço Conexão Sem Fronteiras, localizado no Parque Estadual das Nações Indígenas (ao lado do Bioparque), às 15h, haverá o lançamento de uma plataforma inédita em Mato Grosso do Sul para contribuir na mitigação sobre os atropelamentos de fauna em rodovias do Estado, com destaque para a BR-262, que corta o Pantanal. Essa plataforma, denominada Cofauna (Mapa de Colisões com a Fauna), envolve uma iniciativa do Ministério Público de Mato Grosso do Sul, por meio do Núcleo Ambiental, coordenada com um trabalho conjunto envolvendo o Instituto Homem Pantaneiro (IHP), Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ), SOS Pantanal, Onçafari, Instituto de Conservação de Animais Silvestres (ICAS), Instituto Libio.

Essas seis instituições com atividades de conservação no Pantanal e em outro territórios formam o Observatório Rodovias Seguras para Todos.

Essa proposta ainda recebeu chancela do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) para ser lançado oficialmente durante o evento internacional, que acontece em Campo Grande, de 23 a 29 de março.

De acordo com o Promotor de Justiça e Coordenador do Núcleo Ambiental, Luciano Furtado Loubet, o Cofauna é uma plataforma digital e georreferenciada desenhada para monitorar atropelamentos de animais silvestres nas rodovias estaduais e federais de Mato Grosso do Sul, além de incluir dados do perímetro urbano da capital através do Projeto Quapivara do MPMS. “O objetivo central do mapa é transformar dados brutos em inteligência ambiental. Com a identificação exata dos pontos de maior incidência de colisões, o Cofauna torna-se uma ferramenta indispensável para planejamento ambiental, políticas públicas, proteção de espécies e segurança viária”, explica o promotor Luciano Furtado Loubet.

Com o aprimoramento da análise do cenário de atropelamento da fauna em rodovias de Mato Grosso do Sul, o Cofauna vai permitir melhor orientação para o licenciamento de novas vias e concessões, subsidiar a instalação de passagens de fauna e cercamentos (como já vem ocorrendo na BR-262), mitigar o impacto sobre animais residentes e migratórios e reduzir o risco de acidentes que também vitimam condutores e passageiros.

Fórum Rota Sustentável

O desenvolvimento do Cofauna ainda envolveu um trabalho que foi iniciado com o Fórum Rota Sustentável de Prevenção a Colisões com a Fauna Silvestre, criado em 2024 sob coordenação do MPMS. O grupo reúne o esforço conjunto de órgãos públicos (como TCE, IBAMA, IMASUL, PRF e PRE), universidades (UFMS e UEMS) e organizações da sociedade civil (ICAS, SOS Pantanal e Instituto Homem Pantaneiro).

Desde sua criação, o Fórum tem sido uma voz técnica ativa em processos de concessão de rodovias importantes, como as MS-040, MS-338 e MS-395, além das federais BR-262 e BR-267. Em 2025, a atuação resultou em vistorias técnicas que identificaram a necessidade de cercamento integral em trechos críticos, como a MS-345, garantindo que as medidas mitigatórias sejam instaladas onde são realmente necessárias.

Além do mapeamento, o MPMS e os membros do Fórum articularam, junto à Agesul e ao Imasul, posicionamentos técnicos para a consulta pública do DNIT sobre normas de cercas de proteção. O objetivo é padronizar e elevar o rigor técnico das barreiras físicas que evitam a entrada de animais na pista.

Estudos sobre a BR-262

A rodovia BR-262 é a única pista pavimentada a cortar o Pantanal, por isso tem um trabalho de monitoramento com o engajamento do IHP. A onça-pintada, por exemplo, Símbolo Brasileiro da Conservação da Biodiversidade e uma espécie migratória, é uma das espécies vitimadas com atropelamentos, principalmente no trecho entre Miranda e Corumbá, de cerca de 200 km. Levantamento do IHP dos casos de atropelamento envolvendo a espécie no período entre 2016 e 2025 já contabilizou, até o dia 24/06/2025, a morte de 21 animais. Veja mais dados a serem consultados neste link.

Esse levantamento realizado pela equipe do IHP busca elaborar um recorte do impacto que o atropelamento pode causar para a espécie. Além disso, é importante ponderar que outras mortes de onças-pintadas em decorrência de atropelamentos podem ter ocorrido, porém não foram relatadas às autoridades ou a instituições, bem como o animal pode ter morrido em área distante da rodovia, sem ter ocorrida a visualização do mesmo.

Na lista vermelha da União Nacional para a Conservação da Natureza (IUCN, sigla em inglês), a onça-pintada está ameaçada. Pelo Salve, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), a espécie está classificada como vulnerável. Além disso, a espécie tem uma importância fundamental para a biodiversidade do Pantanal e do Brasil e está em curso o segundo ciclo do Plano de Ação Nacional dos Grandes Felinos, do Centro de Pesquisa, Manejo e Conservação de espécies de mamíferos carnívoros (Cenap), vinculado ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

SOBRE O IHP

O Instituto Homem Pantaneiro (IHP) é uma organização da sociedade civil, sem fins lucrativos. Fundado em 2002, em Corumbá (MS), atua na conservação e restauração do Pantanal e para a valorização da cultura pantaneira.

Entre as atividades desenvolvidas pela instituição destacam-se a gestão de áreas protegidas, o desenvolvimento e apoio a pesquisas científicas e a promoção de diálogo entre os atores com interesse na área.

As ações prioritárias do IHP são feitas nos pilares para proteção da biodiversidade, mitigação das mudanças climáticas e atuação conjunta com comunidades tradicionais e de povos originários para apoiar o desenvolvimento sustentável. O IHP também integra o Observatório Pantanal, o Observatório Rodovias Seguras, os PANs Ariranha e Onça-pintada, além do Comitê Estadual do Fogo em Mato Grosso do Sul. Saiba mais em https://institutohomempantaneiro.org.br/

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