Em todo o estado de Mato Grosso do Sul, existem 153.577,9891 hectares com registro de Reservas Particulares de Patrimônio Natural (RPPNs), espalhados por 63 unidades que estão em 27 municípios. As RPPNs são uma categoria de unidade de conservação criada pela vontade do proprietário rural, sem desapropriação de terra e em caráter perpétuo. Quando há essa efetivação de registro, o proprietário assume compromisso com a conservação da natureza e, por isso, essas reservas podem ser considerados como “tesouros” encontrados em fazendas voltados para proteder a biodiversidade. Por conta de sua importância, o dia 31 de janeiro tem a celebração do Dia Nacional das RPPNs.
O seu caráter de reserva mantém o critério de área privada, porém com o objetivo de conservar a diversidade biológica, fomentar estudos científicos, promover o ecoturismo, garantir ações de educação ambiental e ser um espaço para inovação quando se trata de Pagamentos por Serviços Ambientais (PSAs).
O município que segue na dianteira de resguardar esses tesouros da conservação é Corumbá, a Capital do Pantanal. Existem 14 RPPNs, conforme dados do Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul), que totalizam 28.442,9403 hectares. O segundo município nesse ranking é Aquidauana, com 14.387,000 hectares de RPPNs. Eldorado aparece em terceiro lugar no ranking, com 7.580,3498 hectares espalhados pelo município.
Na Capital do Pantanal, o Instituto Homem Pantaneiro (IHP) realiza a gestão de quatro RPPNs: Acurizal/Penha, Rumo ao Oeste, Engenheiro Eliezer Batista, além da reserva Dorochê (localizada em Mato Grosso). “Somos movidos por uma paixão pela conservação, e temos como uma missão sermos produtores de natureza. Esse é um conceito desenvolvido pelo espanhol Ignácio Jimenez. Além disso, trabalhamos em um território que tem um compromisso pela conservação muito grande, que é o Pantanal. Este é um território que ainda apresenta números acima dos 80% de conservação, mas com desafios, como a dificuldade de logística, altos custos de manutenção”, detalha o presidente do IHP, Angelo Rabelo.

As RPPNs com gestão do instituto ainda representam um esforço para garantir a formação de corredor de biodiversidade/conservação por estarem em área que se conecta com o Parque Nacional do Pantanal Mato-grossense (localizado no município de Poconé-MT) e é onde existe a Serra do Amolar. Esse programa conduzido pelo IHP é a Rede de Proteção e Conservação da Serra do Amolar, ou Rede Amolar. “Manter uma RPPN requer investimentos constantes e monitoramento ambiental e equilibrar esses custos operacionais é um desafio diante das receitas que são geradas”, explica Rabelo.
Como um órgão responsável por contribuir na formação das RPPNs, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) reforça que essas reservas são ferramentas estratégicas para garantir a manutenção da riqueza da fauna e flora do Brasil.
“As RPPNs cumprem um papel dos mais estratégicos na conservação da natureza. Elas são as unidades de conservação que nascem de um gesto voluntário e de muita responsabilidade: proteger áreas, em caráter permanente, um patrimônio natural que é também de interesse público. Mantidas por seus instituidores, elas resguardam a biodiversidade e fortalecem a conectividade ecológica, base concreta para a manutenção de serviços ecossistêmicos essenciais à vida”, defende o presidente do ICMBio, Mauro Pires.
Ele acrescenta que como as funções que podem ser exercidas dentro das RPPNs são determinadas, essas unidades conseguem desempenhar um papel além do ambiental. “Seus benefícios vão além do aspecto ambiental. As RPPNs impulsionam a pesquisa científica, a educação ambiental e o turismo sustentável, gerando oportunidades locais e valorizando a região onde se inserem. Por isso, valorizá-las e apoiá-las é mais que uma obrigação. Para nós do ICMBio, temos muito orgulho e nos sentimos honrados com as mais de 811 RPPNs criadas em todas as regiões do país, expressão madura de uma aliança entre iniciativa privada e compromisso coletivo com o futuro”, comemora Pires.
Inovação e ciência no Pantanal

Ao longo dos 10 anos, por exemplo, o IHP conseguiu desenvolver a pesquisa científica em parceria com pesquisadores de diferentes partes do Brasil e do mundo para entender melhor os impactos dos incêndios florestais na fauna – saiba mais nesse link. Há também outras pesquisas que tratam sobre o comportamento das onças-pintadas, o maior felino das Américas. O monitoramento ambiental realizado mensalmente nessas áreas geram um material de pesquisa de milhares de imagens da vida selvagem.
Além disso, as RPPNs sob gestão do IHP garantem que haja refúgio para nove espécies de fauna consideradas vulneráveis ou em perigo na Lista da IUCN Red List: Tayassu pecari – Queixada (VU), Sapajus cay – Macaco-prego-do-papo-amarelo (VU), Crax fasciolata – Mutum-de-penacho (VU), Myrmecophaga tridactyla – Tamanduá-bandeira (VU), Pteronura brasiliensis – Ariranha (EN), Tapirus terrestris – Anta (VU), Blastocerus dichotomus – Cervo-do-pantanal (VU), Sylvilagus brasiliensis – Tapiti (EN) – Priodontes maximus – Tatu-canastra. Também já foram identificados mais de 200 espécies de fauna nesse território.
Outra medida em andamento é a garantia de manutenção de uma brigada ambiental permanente para prevenir incêndios florestais, além de desenvolvimento para o uso de inteligência artificial que contribui para monitorar e prevenir o risco de fogo – Sistema Pantera.
O trabalho desenvolvido nas RPPNs na Rede Amolar já contribuíram também para garantir a visita de pesquisadores que são referência no mundo da ciência, como é o caso do biólogo inglês Michael Begon.
Para 2026, a prática da ciência na região vai continuar e um estudo inédito vai ser implantado nessas reservas sob gestão do IHP para permitir estimar a população de onças-pintadas nesse território. O resultado desse trabalho ainda contribuirá para mitigar os conflitos que hoje existem na relação do ser humano com o grande felino.

Discussões sobre RPPNs
Durante o dia 30 de janeiro de 2026, equipe do IHP integrou discussões sobre a manutenção e uso das RPPNs no Mato Grosso do Sul e no Brasil. O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), por meio do Projeto GEF Áreas Privadas, realiza o evento “Biodiversidade, Clima e Geração de Renda no Contexto das RPPNs”, no dia 30 de janeiro de 2026, em Brasília (DF). É possível assistir à programação no Canal do Youtube do ICBMbio, veja este link. O presidente do IHP, Angelo Rabelo, participou de um dos painéis para abordar sobre o trabalho desenvolvido no Pantanal.
Em outra programação, a Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), com o Imasul e Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), promovem debates sobre os desafios das RPPNs e sua manutenção pelo Canal do Youtube do Imasul, assista neste link. O coordenador técnico do núcleo de Biodiversidade e Mudanças Climáticas do IHP, Wener Hugo Moreno, integrou o debate estadual.
SOBRE O IHP
O Instituto Homem Pantaneiro (IHP) é uma organização da sociedade civil, sem fins lucrativos. Fundado em 2002, em Corumbá (MS), atua na conservação e restauração do Pantanal e para a valorização da cultura pantaneira.
Entre as atividades desenvolvidas pela instituição destacam-se a gestão de áreas protegidas, o desenvolvimento e apoio a pesquisas científicas e a promoção de diálogo entre os atores com interesse na área.
As ações prioritárias do IHP são feitas nos pilares para proteção da biodiversidade, mitigação das mudanças climáticas e atuação conjunta com comunidades tradicionais e de povos originários para apoiar o desenvolvimento sustentável. O IHP também integra o Observatório Pantanal, o Observatório Rodovias Seguras, os PANs Ariranha e Onça-pintada, além do Comitê Estadual do Fogo em Mato Grosso do Sul. Saiba mais em https://institutohomempantaneiro.org.br/
