Símbolo nacional da biodiversidade está presente no Pantanal e ainda enfrenta desafios para conservação

O dia 29 de novembro é definido para destacar o Dia Internacional da onça-pintada e foi criado para gerar alerta sobre o aumento das ameaças que a espécie, bioindicadora de equilíbrio em um território, sofre em diferentes parte do Planeta. No México e na Argentina, por exemplo, a data é para destacar o risco da extinção. A onça-pintada é o maior felino das Américas, uma espécie guarda-chuva e sua proteção está alinhada a esforços incluídos na ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável) da ONU (Organização das Nações Unidas). No Brasil, a onça-pintada é o Símbolo Brasileiro da Conservação da Biodiversidade, definido por portaria do Ministério do Meio Ambiente, em 16 de outubro de 2018.

Sobre o risco de extinção, conforme a IUCN Red List, que é internacional, a classificação é quase ameaçada. Pela plataforma Salve MMA (Ministério do Meio Ambiente), a classificação é vulnerável.

Para o Pantanal, a onça-pintada está presente em diferentes situações de avistamento. Em Corumbá, na Capital do Pantanal, um indíviduo vem sendo registrado na área urbana desde o começo deste ano. Porém, em anos anteriores, esse tipo de registro também já foi relatado por moradores que vivem próximo do Canal Tamengo, que dá acesso à Bolívia, bem como no Mirante da Capivara. Em Ladário, onças-pintadas já foram encontradas dentro da cidade também. Em 2023, uma mãe e o filhote acabaram sendo capturados em locais diferentes.

Também há o mesmo relato de avistamento da espécie em áreas mais remotas do Pantanal, tanto ao longo do rio Paraguai como do rio Miranda, bem como próximo da BR-262, que corta o território e liga Corumbá/Ladário a Campo Grande, além de outras 10 sub-regiões pantaneiras.

A equipe técnica do Instituto Homem Pantaneiro (IHP) desempenha diferentes medidas para conservar a onça-pintada e promover a coexistência na relação do felino com os seres humanos. Além das atividades de monitoramento feitas em áreas da Serra do Amolar, também ocorrem coletas de dados, pesquisas científicas, educação ambiental. O Instituto tem outra iniciativa que é integrar um grupo de trabalho para a coexistência humano-onça no Pantanal, que aglomera 13 instituições de Mato Grosso do Sul e Mato Grosso.

O IHP integra também o segundo ciclo do Plano de Ação Nacional dos Grandes Felinos, do Centro de Pesquisa, Manejo e Conservação de espécies de mamíferos carnívoros (Cenap), vinculado ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). O PAN Onça-pintada é a principal política pública nacional que trata sobre o tema.

Conforme as diretrizes do atual ciclo do PAN da Onça-pintada, as atuais ameaças para a espécie são:

  • Perda e fragmentação de habitat, com atropelamentos, construção de empreendimentos energéticos e perda de variabilidade genética;
  • Caça de retaliação com fake news que acabam fomentando conflitos entre os seres humanos e a espécie;
  • Caça esportiva;
  • Tráfico de partes do animal.

O trabalho dos pesquisadores, que envolve a equipe do IHP, definiu seis objetivos específicos para serem desempenhados ao longo do ciclo 2025-2030:

  • Manutenção ou aumento da conectividade funcional nas áreas de ocorrência dos grandes felinos, com foco na qualidade do habitat e diversidade genética;
  • Aprimoramento do sistema de combate aos ilícitos, tráfico de animais, suas partes e produtos, e redução do abate de grandes felinos em áreas estratégicas a serem identificadas pelo PAN;
  • Desenvolvimento de medidas de coexistência entre grandes felinos e seres humanos, de modo a diminuir os impactos negativos reais ou percebidos e promover a valoração da biodiversidade;
  • Desenvolvimento de estratégias de comunicação para diminuir o medo e aumentar a tolerância das pessoas com relação à presença de grandes felinos;
  • Aprimoramento dos procedimentos de resgate, recepção, manutenção, reabilitação e soltura de grandes felinos para buscar um manejo adequado;
  • Sistematização, ampliação e disseminação do conhecimento a respeito do tamanho populacional e diversidade genética, bem como o estado sanitário e epidemiológico das populações de grandes felinos.

Os desafios para cumprir as medidas de conservação e reduzir a desinformação são grandes. O primeiro ciclo do PAN Onça-pintada, 2010-2017, foi encerrado com 41% das ações previstas concluídas. Conforme dados do ICMBio, 18% das medidas ainda ficaram para ser realizadas, mesmo com o fim do ciclo. Ainda assim, em torno de 40% do planejamento não conseguiu ser alcançado. O PAN engloba não só o Pantanal, como a Amazônia, Caatinga, Cerrado e Mata Atlântica.

SOBRE O IHP

O Instituto Homem Pantaneiro (IHP) é uma organização da sociedade civil, sem fins lucrativos. Fundado em 2002, em Corumbá (MS), atua na conservação e restauração do Pantanal e para a valorização da cultura pantaneira.

Entre as atividades desenvolvidas pela instituição destacam-se a gestão de áreas protegidas, o desenvolvimento e apoio a pesquisas científicas e a promoção de diálogo entre os atores com interesse na área.

As ações prioritárias do IHP são feitas nos pilares para proteção da biodiversidade, mitigação das mudanças climáticas e atuação conjunta com comunidades tradicionais e de povos originários para apoiar o desenvolvimento sustentável. O IHP também integra o Observatório Pantanal, o Observatório Rodovias Seguras, o GT de Coexistência Humano-Onça, os PANs Ariranha e Onça-pintada, além do Comitê Estadual do Fogo em Mato Grosso do Sul. Saiba mais em https://institutohomempantaneiro.org.br/

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