A equipe do Instituto Homem Pantaneiro (IHP) passou a integrar um grupo amplo criado para o Pantanal que vai promover a coexistência entre pessoas e grandes felinos. A partir de uma união de esforços, houve a criação da Rede Pantaneira pela Coexistência Humano-Onças. A iniciativa teve momento de fundação a partir de encontro técnico realizado no Hotel Sesc Porto Cercado, em Poconé (MT), em novembro de 2025.
A partir deste ano, a Rede Pantaneira pela Coexistência Humano-Onças terá um calendário de atividades e discussões. A proposta é unir diálogo, ciência e compromisso coletivo para promover a conservação do maior felino das Américas, ao mesmo tempo que conflitos com comunidades sejam mitigados.
A proposta foi possível de ser formatada a partir da iniciativa da WWF-Brasil, e reuniu representantes de organizações ambientais, produtores rurais e pesquisadores de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, dois estados brasileiros onde o Pantanal está presente. Entre as instituições participantes estão WWF-Brasil, Aliança 5P, Panthera, Instituto Pró-Carnívoros, Ampara Silvestre, Instituto Homem Pantaneiro (IHP), Jaguarte, Onçafari, Impacto/Pousada Piuval, ICMBio/Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros (Cenap).
Desde 2024 já havia um grupo técnico de trabalho atuando. Essa ferramenta evoluiu em 2025 para uma Rede estruturada, com propósito, valores e metas comuns. Essa consolidação marca um novo momento: de articulação mais madura, colaborativa e com foco em resultados práticos.
Para Cyntia Cavalcante, analista de conservação do WWF-Brasil, a formalização da Rede representa um avanço importante na governança da conservação no Pantanal. “O que começou como uma articulação entre pesquisadores e produtores, agora ganha estrutura para gerar resultados reais. A Rede amplia o diálogo, mas também cria caminhos para políticas públicas e práticas de manejo mais eficazes”, destaca.
Parceiro da Rede desde sua criação, o Sesc Pantanal atua como elo entre pesquisa científica, conservação ambiental e envolvimento comunitário. “O Sesc Pantanal é um espaço de conexão entre ciência, conservação e pessoas. Nosso papel é somar conhecimento e contribuir para soluções que nascem da vivência e da escuta do território”, explica Alexandre Enout, gestor da Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Sesc Pantanal.
A partir de agora, a Rede inicia a implementação do plano de ações para 2026, que inclui a participação na COP15 da Convenção sobre Espécies Migratórias, a ser realizada em Campo Grande (MS), entre 23 a 29 de março. O cronograma também prevê ações de capacitação para produtores rurais, ampliação do diálogo com comunidades pantaneiras e intercâmbio de informações entre instituições de pesquisa e conservação.
Coexistência na maior RPPN do Brasil
A Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Sesc Pantanal é a maior do Brasil e se consolidou como um laboratório vivo de biodiversidade. Desde 2013, mantém pesquisa contínua sobre onças-pintadas e pardas, com uso de armadilhas fotográficas em parceria com universidades e instituições científicas. Até o momento, 39 indivíduos foram identificados, e o banco de dados reúne mais de 300 mil registros audiovisuais de mamíferos e aves silvestres.
Rede Amolar
Na Rede de Proteção e Conservação da Serra do Amolar (Rede Amolar), programa gerido pelo IHP no Pantanal de Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, também são feitas diferentes iniciativas que envolvem pesquisa e trabalho com comunidades para mitigar o conflito de grandes felinos com o ser humano.
Neste ano, na região vai ser realizado um estudo para estimar a população de onças-pintadas, de forma de encontrar dados que ajudem a desenvolver uma série de ações. O projeto foi aprovado dentro do Fundo Luz Alliance, gerido pela BrazilFoundation, e está alinhado à convocação da Década da Restauração dos Ecossistemas pela Organização das Nações Unidas (ONU).
Para essa iniciativa conhecida como Luz Alliance no Pantanal ser desenvolvida, houve a aquisição de 40 armadilhas fotográficas a partir de uma parceria com a LogNature. A estratégia é desenvolver o projeto em duas etapas: uma ligada ao grid de câmeras e a outra com trabalho direto com as comunidades. Saiba mais sobre esse estudo aqui.
SOBRE O IHP
O Instituto Homem Pantaneiro (IHP) é uma organização da sociedade civil, sem fins lucrativos. Fundado em 2002, em Corumbá (MS), atua na conservação e restauração do Pantanal e para a valorização da cultura pantaneira.
Entre as atividades desenvolvidas pela instituição destacam-se a gestão de áreas protegidas, o desenvolvimento e apoio a pesquisas científicas e a promoção de diálogo entre os atores com interesse na área.
As ações prioritárias do IHP são feitas nos pilares para proteção da biodiversidade, mitigação das mudanças climáticas e atuação conjunta com comunidades tradicionais e de povos originários para apoiar o desenvolvimento sustentável. O IHP também integra o Observatório Pantanal, o Observatório Rodovias Seguras, os PANs Ariranha e Onça-pintada, além do Comitê Estadual do Fogo em Mato Grosso do Sul. Saiba mais em https://institutohomempantaneiro.org.br/
