O Instituto Homem Pantaneiro (IHP) participou de agenda com o secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e presidente da 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (COP15 da CMS, na sigla em inglês), João Paulo Capobianco, neste dia 2 de feveiro, em Campo Grande. A reunião ainda contou com a presença da imprensa e houve o destaque para a relevância da COP15 e o simbolismo de sua realização no Brasil, sobretudo no estado que abriga a maior porção do Pantanal.
A COP15 em Campo Grande vai acontecer de 23 a 29 de março. “A convenção representa uma das maiores expressões da cooperação internacional para a conservação da biodiversidade, ao reunir países em torno da proteção de espécies migratórias que dependem de ações coordenadas de preservação ao longo de suas rotas. As espécies migratórias circulam entre países e continentes. Muitas passam pelo Brasil, mas não pertencem a um único território. Portanto, a COP15 é um gesto de cooperação, de altruísmo altamente relevante e que depende do esforço multilateral da cooperação internacional no seu mais alto valor”, explicou João Paulo Capobianco.
O presidente do IHP, Angelo Rabelo, reforçou em sua fala nesse evento de acompanhamento da COP15 que dentro do contexto de conservação de espécies migratórias, a importância de se haver corredores que garantem refúgios. Um desses exemplos de corredores de conexão é a Rede de Proteção de Conservação da Serra do Amolar (Rede Amolar), que conecta o Parque Nacional do Pantanal Matogrossense, em Poconé (MT), a Reservas Particulares de Patrimônio Natural (RPPNs) e forma um território de 200 mil hectares. O IHP faz a gestão de RPPNs na Serra do Amolar e contribui para ampliar as ações de refúgio que o Parque Nacional forma.
“Em termos de RPPN, já existe quase um milhão de hectares no Brasil. Isso é muito significativo, estamos ganhando força de diferentes formas. Nesse sentido, a RPPN tem um papel estratégico. É fundamental integrar a importância da conservação de áreas que vão ser diretamente necessárias para garantir refúgio para as espécies migratórias”, detalhou Rabelo.
O trabalho de monitoramento desenvolvido pelo IHP nas RPPNs contribui, por exemplo, para identificar espécies que existem na região e ajuda a catalogar, com dados científicos, hotspots da biodiversidade. Nesse território do Pantanal existem nove espécies de fauna consideradas vulneráveis ou em perigo na Lista da IUCN Red List: Tayassu pecari – Queixada (VU), Sapajus cay – Macaco-prego-do-papo-amarelo (VU), Crax fasciolata – Mutum-de-penacho (VU), Myrmecophaga tridactyla – Tamanduá-bandeira (VU), Pteronura brasiliensis – Ariranha (EN), Tapirus terrestris – Anta (VU), Blastocerus dichotomus – Cervo-do-pantanal (VU), Sylvilagus brasiliensis – Tapiti (EN) – Priodontes maximus – Tatu-canastra. Também já foram identificados mais de 200 espécies de fauna nesse território. Entre as espécies migratórias encontradas na Serra do Amolar, no Pantanal, uma delas é a onça-pintada.
Conheça a lista das espécies migratórias, disponível no site do Ministério do Meio Ambiente, nesse link.
A COP15
A Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (CMS) é um tratado ambiental das Nações Unidas que estabelece uma plataforma global para a conservação de espécies migratórias, seus habitats e rotas de deslocamento ao longo de toda a sua área de distribuição.
Em vigor desde 1979, reúne governos, cientistas, povos indígenas, comunidades tradicionais, sociedade civil e especialistas em vida silvestre para enfrentar desafios relacionados à conservação da fauna migratória em escala global. Atualmente, 133 países da África, das Américas Central e do Sul, da Ásia, da Europa e da Oceania são signatários da Convenção. Ao todo, são 1.189 espécies, distribuídas entre 962 aves, 94 mamíferos terrestres, 64 mamíferos aquáticos, 58 espécies de peixes, 10 répteis e 1 inseto.

Capobianco ressaltou ainda o papel do Brasil como liderança ambiental, o compromisso com o multilateralismo e a oportunidade de ampliar a adesão de novos países à convenção. Também destacou a visibilidade internacional conferida ao Pantanal e às iniciativas de conservação desenvolvidas em parceria entre o Governo do Brasil e o governo do Mato Grosso do Sul, bem como os impactos positivos da COP15 para o turismo e os legados ambientais do evento, como ações de sustentabilidade, redução de carbono e plantio de árvores.
“O Pantanal é um eixo fundamental tanto para a conservação quanto para o desenvolvimento sustentável, com destaque para o turismo. O turismo internacional é um fator estratégico, pois evidencia a relevância biológica do bioma no cenário global e reforça sua importância paisagística, cultural e ambiental como um território único”, concluiu.
A secretária Nacional de Biodiversidade, Florestas e Direitos Animais do MMA, Rita Mesquita, reforçou o papel central da CMS como a única convenção global dedicada exclusivamente à proteção de espécies migratórias, ressaltando sua importância diante do reflexo das atividades humanas e da mudança do clima sobre essas espécies.
“A convenção busca ampliar e fortalecer políticas de conservação, além daquelas que já estão em vigor de outras convenções, cria instrumentos de cooperação e coalizões, e, na medida em que se constrói consenso, chegamos a decisões que são colocadas na forma de planos e de medidas”, explicou.
Assim como Capobianco, Rita destacou o esforço brasileiro para ampliar o número de países signatários, em especial aqueles considerados estratégicos para as rotas migratórias.
“Isso porque as rotas migratórias estabelecem, necessariamente, conexões entre países. E, para além disso, nós temos que nos preocupar com a conexão real. Porque uma coisa é a conexão entre acordos, reconhecimento de interesses comuns, e outra são as conexões reais, em que essas espécies precisam encontrar os ambientes necessários para que esses processos ecológicos da vida delas continuem a existir de uma maneira segura”, afirmou.
O secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação do Mato Grosso do Sul, Jaime Verruck, também participou da coletiva. Ao se referir ao Dia Mundial das Áreas Úmidas (celebrado em 02/02), Verruck lembrou que o Pantanal ocupa posição importante na COP15 por ser a maior área úmida do planeta, bem como um território estratégico para a conservação da biodiversidade. “Queremos ampliar esse olhar para o Pantanal. O bioma é área de passagem e permanência de diversas espécies migratórias. Por isso, desenvolvemos ações específicas de monitoramento para identificar quais espécies utilizam o Pantanal, em que períodos, por quanto tempo permanecem e se o território também funciona como área de reprodução”, disse.

Como participar da COP15?
Para participar da COP15, faça o seu registro neste link. O site oficial do evento pode ser acessado por aqui.
SOBRE O IHP
O Instituto Homem Pantaneiro (IHP) é uma organização da sociedade civil, sem fins lucrativos. Fundado em 2002, em Corumbá (MS), atua na conservação e restauração do Pantanal e para a valorização da cultura pantaneira.
Entre as atividades desenvolvidas pela instituição destacam-se a gestão de áreas protegidas, o desenvolvimento e apoio a pesquisas científicas e a promoção de diálogo entre os atores com interesse na área.
As ações prioritárias do IHP são feitas nos pilares para proteção da biodiversidade, mitigação das mudanças climáticas e atuação conjunta com comunidades tradicionais e de povos originários para apoiar o desenvolvimento sustentável. O IHP também integra o Observatório Pantanal, o Observatório Rodovias Seguras, os PANs Ariranha e Onça-pintada, além do Comitê Estadual do Fogo em Mato Grosso do Sul. Saiba mais em https://institutohomempantaneiro.org.br/
