Parceria entre Instituto Homem Pantaneiro (IHP) e Log Nature fortalece metas prioritárias do PAN Ariranhas e resoluções internacionais da COP15
No Dia Mundial das Lontras, celebrado neste 27 de maio (última quarta-feira do mês de maio), uma união estratégica entre tecnologia e conservação busca ampliar o conhecimento e a proteção sobre uma das espécies mais emblemáticas e ameaçadas do Brasil. O Instituto Homem Pantaneiro (IHP), sediado em Corumbá (MS), e a Log Nature, empresa com base em Belo Horizonte (MG) e especializada em soluções e tecnologias para a pesquisa científica, formalizaram parceria para o projeto “Monitoramento bioacústico de ariranhas (Pteronura brasiliensis) na Serra do Amolar, Pantanal, Brasil”.
A ariranha — a maior espécie da subfamília das lontras em todo o mundo — funciona como uma “espécie bandeira” para a proteção da biodiversidade. Fortemente social e posicionada no topo da cadeia alimentar, a presença da “onça d’água” reflete diretamente a saúde e o equilíbrio das águas e baías onde habita. Contudo, devido a pressões históricas como a caça por peles e as ameaças contemporâneas de perda de habitat, poluição e incêndios, a ariranha é categorizada hoje oficialmente como Em Perigo (EN) de extinção no Brasil. O status crítico foi inclusive referendado globalmente durante as discussões da COP15, realizada neste ano em Campo Grande (MS), que incluiu a espécie como prioridade máxima para a conservação.
Com o novo projeto, a pesquisa científica ganha um forte aliado tecnológico. O IHP, que já atua ativamente no mapeamento e rastreamento de grupos de ariranhas na Serra do Amolar por meio de expedições e armadilhas fotográficas convencionais, agora passa a monitorar os animais também pela audição de alta performance. Será instalado gravador de alta fidelidade doado pela Log Nature diretamente nas “locas” — os abrigos das ariranhas.
“A bioacústica potencializa o desenvolvimento da pesquisa científica envolvendo a espécie e vai permitir compreendermos a dinâmica social desses animais sem interferir na rotina deles. Posteriormente, vamos conseguir decodificar vocalizações de alerta, interações territoriais e a comunicação íntima entre os membros dos grupos. É a tecnologia avançada gerando dados brutos para salvar o coração do Pantanal”, explica Wener Hugo Moreno, coordenador de Biodiversidade do IHP.

A escolha da Serra do Amolar para o início dos estudos não foi por acaso. A região abriga trechos excepcionalmente bem conservados do Pantanal, é cortado pelo rio Paraguai e configura-se como um dos principais refúgios para populações da espécie. A metodologia não invasiva vai impulsionar a sensibilidade de detecção das ariranhas.
Além do ganho científico imediato, a parceria cumpre um papel institucional rigoroso. Toda a base de dados obtida no Amolar será compartilhada diretamente com o Plano de Ação Nacional para Conservação da Ariranha (PAN Ariranhas), que é coordenado pelo Cenap/ICMBio e o IHP é membro ativo. A ação atende de forma direta metas da política pública nacional voltada para proteção das ariranhas.
Os resultados das análises acústicas e populacionais também ficarão disponíveis para tomadores de decisão e parceiros locais, servindo de subsídio técnico para o fortalecimento de estratégias integradas de proteção hídrica e ordenamento do ecoturismo na bacia pantaneira.
Em janeiro de 2025, o IHP e a Log Nature já tinham uma outra parceria que envolveu realizar monitoramento da espécie por meio de armadilhas fotográficas. Esses esforços foram concentrados diante do cenário que mostra estimativa de redução de até 40% na distribuição da espécie no Brasil.
Sobre as ariranhas
Conforme dados do PAN Ariranha, essa espécie, que tem nome científico de Pteronura brasiliensis, é um mamífero carnívoro membro da família Mustelidae, da qual fazem parte animais comuns em regiões temperadas como o Vison, o Furão e o Texugo. No Brasil esta família é representada por seis espécies, entre elas os furões (Galictis cuja e G. vittata), a Irara (Eira barbara), e a doninha-amazônica (Mustela africana).

Sobre a Log Nature
A Log Nature atua no desenvolvimento de soluções que integram tecnologia, conhecimento técnico e conservação da biodiversidade, apoiando pesquisadores, consultorias ambientais, organizações da sociedade civil e iniciativas ligadas ao mercado de crédito de carbono em todo o Brasil.
Referência nacional em equipamentos e soluções para pesquisa e monitoramento ambiental, a empresa combina inovação em produtos com consultoria especializada, oferecendo suporte técnico e ferramentas que tornam as atividades de campo mais eficientes, precisas e sustentáveis.
Com foco em conservação aplicada, a Log Nature trabalha ao lado de profissionais e instituições comprometidos com a geração de dados de qualidade para a proteção da biodiversidade e dos ecossistemas brasileiros. Seu modelo de atuação prioriza fornecedores alinhados a uma cadeia produtiva responsável, valorizando produtos duráveis, de alta qualidade e com menor impacto ambiental.
Além da atuação comercial e técnica, a empresa mantém o compromisso de gerar impacto positivo para a conservação da natureza por meio do apoio direto a projetos ambientais. Até o momento, a Log Nature já impulsionou mais de 134 iniciativas de conservação em diferentes biomas brasileiros, fortalecendo pesquisas, ações de monitoramento de fauna, educação ambiental e estratégias de preservação da biodiversidade.
Sobre o IHP
O Instituto Homem Pantaneiro (IHP) é uma organização da sociedade civil, sem fins lucrativos. Fundado em 2002, em Corumbá (MS), atua na conservação e restauração do Pantanal e para a valorização da cultura pantaneira.
Entre as atividades desenvolvidas pela instituição destacam-se a gestão de áreas protegidas, o desenvolvimento e apoio a pesquisas científicas e a promoção de diálogo entre os atores com interesse na área.
As ações prioritárias do IHP são feitas nos pilares para proteção da biodiversidade, mitigação das mudanças climáticas e atuação conjunta com comunidades tradicionais e de povos originários para apoiar o desenvolvimento sustentável. O IHP também integra o Observatório Pantanal, o Observatório Rodovias Seguras, os PANs Ariranha e Onça-pintada, além do Comitê Estadual do Fogo em Mato Grosso do Sul. Saiba mais em https://institutohomempantaneiro.org.br/
